Texto: Sunset

Do lado de dentro do picadeiro, os artistas usam a leveza e a beleza de seus movimentos pra criarem um show que encanta o público. Do lado de fora, um homem usa a firmeza e a força de sua opinião pra garantir que esse espetáculo continue. Esse homem é Junior Perim, cofundador e diretor executivo do Circo CRESCER E VIVER, empreendimento social que usa o circo e sua poesia, primeiramente, pra formar crianças, adolescentes e jovens de classes populares, mas, mas na prática, ensina muito mais que artes circenses. Ensina que é preciso acreditar nos sonhos e lutar por eles.

 

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“Eu fiz um projeto social pra significar a minha própria existência. Ele me salvou, ele me tornou um sujeito melhor”.

Eu nunca estive satisfeito com a vida que eu tinha na minha infância. Fui muito pobre e mesmo assim tinha os desejos que toda infância tem, mas meus pais não tinham condição de realizar aquilo. Mesmo assim, eu levantei a cabeça e fui atrás do que eu queria: tive uma transportadora, que na verdade era meu carrinho de rolimã – enquanto a molecada fazia carrinho de rolimã pra brincar de corrida, eu fazia pra ir à feira, levar as compras das mulheres mais velhas, na perspectiva de ganhar uma gorjeta. Catei caranguejo pra vender em feira. Também trabalhei como magarefe, durante muitos anos, em abatedouro.

Então, é isso: eu fui inventando, ao longo da minha vida, um montão de vidas pra pular os muros do cotidiano complexo. Nenhuma delas foi capaz de satisfazer todas as minhas necessidades e desejos e por isso eu tinha que inventar uma outra, uma outra e uma outra.

“Mais do que eu escolher o circo, o circo me deu a oportunidade de estar junto dele”.

O circo me acolheu. Eu não tenho nenhuma habilidade física ou habilidade circense, que se poderia chamar de técnica de circo. Minha habilidade é fazer malabares com ideias, ser um acrobata das reflexões. Eu não poderia ser de cinema, de teatro ou da dança, que se tornaram campos do conhecimento e têm inclusive faculdades e cursos formais. O circo não. O circo é esse lugar da transmissão do conhecimento pela oralidade, da possibilidade de você gerar espaço pra todos.

“Todo mundo tem direito à felicidade. Essa foi minha crença, eu não sei existir de outro jeito”.

O que a gente faz aqui é isso: acolher as pessoas. Saber encontrar o menino aqui e saber o nome dele. Isso é o básico. Você chega em instituições que têm não sei quantas crianças, adolescentes e jovens, as pessoas não sabem com quem tão falando – trata aquele menino ali como um número. Não é um número que tá entrando aqui. É quem vem fazer. Aqui vem o João, o Paulo, aqui vem a Christine, cada um com sua dimensão individual que precisa ser reconhecida, precisa ser acolhida. A gente tem uma capacidade de interpretar o que esse povo tá desejando e tem coragem de aceitar que essa instituição não é para o nosso desejo, é para o desejo dessa galera.

O Circo CRESCER E VIVER é um lugar de arte e transformação social, é o uso do circo como ferramenta para o desenvolvimento de crianças e adolescentes em territórios populares, como ferramenta pra contribuir na educação complementar desses jovens.

“A educação não pode ser só a educação formal, tem que saber se comunicar com as pessoas, dizer o que você quer e também o que você não quer”.

A tarefa de mudar sua vida é sua, não é minha. Foi difícil pra caramba eu inventar minha vida, tu quer que eu invente a sua? Quem transforma sua própria vida é você mesmo. O circo é um espaço pra você exercer o seu desejo de mudar sua própria vida. Nossa tarefa é entregar na mão da juventude a responsabilidade de seguir fazendo um show de cidadania, solidariedade e transformação.

“Demora um pouco, mas eu tenho absoluta convicção de que é possível fazer um mundo melhor”.

O Circo Crescer e Viver tem Patrocínio do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura, da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, da Petrobras, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Hope Serviços e da Astem, e apoio da ABC Trust e da Rise Up & Care