Como você leu aqui no site do Circo Crescer e Viver, na semana passada recebemos o  Passo a Passo – o Começo de Uma Nova História, evento que integra o projeto Educação na Medida. Nesse dia, conversamos com alguns convidados, que falaram sobre a iniciativa e você confere agora as entrevistas. O Passo a Passo é o primeiro de 3 encontros, e  reuniu 45 adolescentes que participam do projeto, 10 tutores, 15 convidados, entre eles, o Desembargador Siro Darlan, as diretoras e 28 técnicos dos 14 Centros de Referência Especializado da Assistência Social – CREAS do Rio de Janeiro, representantes da Secretaria de Desenvolvimento Social – SMDS, do Circo CRESCER E VIVER, do Ministério Público do Trabalho – MPT, Instituto Brasileiro Pro Educação, Trabalho e Desenvolvimento – ISBET, de outras instituições.

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Confira as entrevistas:

“ Acho que é avançadíssimo e ousado. Fico muito feliz em fazer parte deste novo momento em que o setor privado, outros órgãos, o Judiciário, Prefeitura, uma combinação muito boa e a interlocução para incorporar o que a sociedade está dizendo e sinalizando. Principalmente respeitar e acatar as boas práticas que estão acontecendo como as do Circo Crescer e Viver, que será a porta de entrada deste programa. Fico muito feliz, acho que isso é um farol no meio desse tempo nublado que a gente está vivendo no Brasil. Vou aprender muito e espero colaborar bastante e levar essa experiência para o Ceará e outras partes do Brasil via CUFA. Parabéns a todos! ” – Preto Zezé – Presidente da CUFA Global.

“ Acho que estamos dando passos. Custamos a chegar nesse lugar. A sociedade sempre teve um olhar muito discriminatório para com esse público, em sua maioria negro, vindo de comunidade, e as pessoas acham até normal que eles estejam cumprindo Medidas Socioeducativas. Nós não achamos isso. Pensamos que tem que existir oportunidade e esse passo está sendo dado aqui hoje com a formatação desse projeto. Parabéns ao Adilson Pires, ao Rodrigo Abel e ao Circo por estarem abrindo este espaço para que nós possamos estar dando passos à frente. Precisamos dar passos largos, porque a sociedade está muito radicalizada, querendo matar as pessoas, dizendo que tem que ter uma carteirinha para a pessoa ir à praia, como um apartheid. A sociedade está andando para trás. Então acho que quando a gente discute essa atividade, governo e sociedade civil, é repensar a lógica da sociedade que está dando passos atrás. ”Jurema Baptista – SubSecretária de Inclusão Produtiva da SMDS.

“ Ainda que sejam medidas de privação de liberdade, mas através de medidas de convivência familiar e com a comunidade. A ressocialização, a palavra já diz, só pode se dar em meio à sociedade, quando eles forem aceitos na sua plenitude como cidadãos que são, pelo mundo econômico, pelo mundo social, pelo mundo recreativo, e, sobretudo, pelo mundo educacional.  Essa é uma quebra de paradigma, uma iniciativa muito interessante, que une instituições e o Ministério Público do Trabalho, os Agentes que aplicam Medidas Socioeducativas e a Prefeitura, que dessa forma cumprem o seu papel de estenderem a mão para os cidadãos da cidade do Rio de Janeiro. Porque até agora nós temos colocado como Medida apenas a exclusão social, o aprisionamento. E o resultado tem sido triste. Eles não se ressocializam e saem cada vez piores. Ficam num processo de exclusão. Não se sentem queridos, não se sentem incluídos, e todos nós perdemos. Então, essa é uma iniciativa louvável, e eu estou aplaudindo e apoiando plenamente. ” – Dr. Siro Darlan – Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a Democracia.

“ Acho muito louvável essa iniciativa. Estamos numa união de forças dentro destes projetos, porque é mais de um que está surgindo e entendemos que precisamos buscar a garantia dos direitos desses adolescentes. Lidamos com uma realidade perversa, ninguém desconhece, mas a nossa atuação diária é para que eles estejam inseridos dentro de um processo, no caso da minha parte, do Ministério Público do Trabalho, que quando a empresa realize a contratação dele como aprendiz, que ele tenha os direitos trabalhistas garantidos de forma proporcional, que ele mantenha seu estudo regular e que desta forma, ele se prepare para o mundo do trabalho. Não entendemos que a alternativa seja a criminalidade ou situações precárias de trabalho. Somos um país de empresas fortes, temos um campo vasto, de inserção, sim, destes meninos, a partir de 14 anos, quando eles podem ser aprendizes e que possam realizar essa formação profissional e garantir um futuro de dignidade. ” – Dra. Dulce Torzesqui, Procuradora do Ministério Público do Trabalho.

 

“ Achei muito bacana e fiquei feliz quando recebi o convite do Perim, o reconhecimento dele e do Vinicius, por me chamarem para fazer parte desse processo que é bastante significativo para esses jovens que estão cumprindo Medidas, porque fui um jovem que passou por diversas situações e que poderia ter sido pego em Medidas Socieducativas quando adolescente. Eu era pichador, às vezes ia à praia e pulava a roleta de ônibus. Várias vezes era abordado pela polícia, e hoje estou do outro lado, dividindo um pouco da minha experiência de como eu fiz pra sair de uma situação de pobre, preto e favelado, que era sempre discriminado, e hoje posso falar com adolescentes e jovens do Brasil inteiro e agora do mundo, pois estou viajando para vários países. Gostaria de deixar uma mensagem para os jovens: Menorzada, o bagulho é doido mas tem sempre uma luz no fim do túnel! Mais arte, mais trabalho, porque nada como dormir sossegado e andar de cabeça erguida. ” - Jessé Dantas (Jessé Andarilho) – Escritor, produtor na CUFA-RJ e Diretor de Reportagem no Programa Aglomerado.

 

“ O Circo Crescer e Viver e as outras instituições que estão participando desse projeto – que é uma parceria do Governo do Estado com a Prefeitura, só reforçam a ideia de que sozinho o Poder Público não é capaz de resolver esse problema. Precisamos ter parcerias com instituições da sociedade civil sérias como estas e o que estamos fazendo aqui hoje é concretizar uma ideia que é, a partir dessas parcerias, criar expetativas de futuro, uma luz no fim do túnel desses meninos, que, de alguma forma, perderam a esperança que tinham e a gente pode ajudá-los a retomarem suas trajetórias de vida. ” - Dr. Adilson Nogueira Pires, Vice-Prefeito e Secretário Municipal de Desenvolvimento Social

“ É um projeto muito bom porque vai propiciar o aprendizado de crianças e adolescentes e lhes dar uma chance. E é disso que eles precisam para poderem trilhar seu próprio caminho na vida sem descambarem para o lado infracional. O projeto apresenta um caminho na área formal, e não na área informal. É isso que precisamos, resgatar esse adolescente da área da informalidade, da falta de escolarização, e trazê-lo para esse nosso mundo formal, onde terá seus direitos respeitados. ” - Dr. Marcos Moraes Fagundes – Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Infância e Juventude do Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro.

“ Trabalho muito próximo à Medida de Meio Aberto e não poderia deixar de estar presente aqui, nesse momento tão importante, em que esse projeto repercute muito para os meninos que estão cumprindo Medida, tão fundamental para que tenham um objetivo maior, para que realmente cumpram essa medida e que não haja reincidência. Tem tudo a ver esse projeto. ” - Dra. Nina Silva – Administração Geral Degase.

“ Achei esse encontro maneiro pois tinham algumas pessoas que já conhecia e também pude ouvir a opinião delas. ” - João Prado Lima **

“ Muito bacana pois nos mostra outro caminho, uma nova oportunidade de acertar. ” - Pedro Gonzaga dos Santos **

Legal ter um dia com tantas atividades maneiras! ” - Luiz Queiroz Santana **

** Os nomes com asterisco são de adolescentes que cumprem Medidas Socioeducativas e integram o projeto Educação na Medida. Trocamos os nomes para proteção dos adolescentes, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que seguimos.

O projeto Educação na Medida é realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social – SMDS, o Ministério Público do Trabalho – MPT, o Instituto Brasileiro Pro Educação, Trabalho e Desenvolvimento – ISBET, e instituições convidadas como o Circo Crescer e Viver, entre outras.

O Circo CRESCER E VIVER tem Patrocínio do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura, da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, da Petrobras, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Hope Serviços e apoio da ABC Trust, da Rise Up & Care e da Vertical Rigging Solutions.